quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

"Conheci meu namorado jogando Counter Strike", diz universitária

DIÓGENES MUNIZ
Editor de Informática da Folha Online

O que para o juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz é uma carnificina virtual digna de proibição, para dois universitários de São Carlos (interior paulista) foi puro romance. Mariana Moga de Moura, 21, estudante de física, e Marcelo Montovani Thomaz, 21, que cursa ciência da computação, conheceram-se jogando o agora proibido Counter Strike.

Este e outro jogo, o EverQuest, tiveram sua distribuição e venda embargados em todo Brasil pela Justiça. Para o juiz, eles "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública".

Arquivo Pessoal
Mariana Moga e Marcelo Montovani Thomaz se conheceram jogando Counter Strike; eles já estão juntos há dois anos e meio
Mariana Moga e Marcelo Montovani Thomaz se conheceram jogando Counter Strike; eles já estão juntos há dois anos e meio

"Jogo há uns 6 anos, desde o Counter Strike 1.5", diz Mariana, que já conseguiu ficar 15 horas ininterruptas matando terroristas numa LAN house. "É mais legal nestes lugares, porque dá pra ir com turma", explica. Hella (seu apelido no jogo) já contou até com o pai como companheiro nas batalhas virtuais ("Ele também curte").

Mais experiente, Marcelo (ou "edyn") chegou a disputar campeonatos --seu time foi vice-campeão num deles e recebeu até prêmio em dinheiro.

"Você precisa de entrosamento para a coisa dar certo, sem nenhum erro", ensina, com a autoridade de quem pratica há nove anos. Toda a experiência, no entanto, não o impediu de perder para... Mariana.

"Ele falava que eu jogava melhor na época, porque eu destruía mesmo. Jogava melhor que muito marmanjo", gaba-se a universitária. Logo o casal se esgueirou para conversas via MSN e, após 4 meses de facadas e tiros, conheceram-se pessoalmente. "Não tinha xaveco explícito, sabe? A gente foi se dando bem", relata a universitária. Já namoram há dois anos e meio.

Hoje, ao lembrar das disputas, Mariana não se arrepende de ter "destruído" o futuro namorado. "Eu competia com ele, afinal, mulher sofre preconceito num jogo tão masculino, né?"

cs_rio

Um dos mais populares games da história, o Counter Strike funciona em equipes (terroristas X antiterroristas) e pode receber cenários feitos pelos próprios jogadores. Um deles é o do Rio de Janeiro (cs_rio), criticado pelo Procon na última semana.


Reprodução
Counter Strike e outro jogo, o EverQuest, tiveram sua distribuição e venda embargados em todo Brasil pela Justiça
Counter Strike e outro jogo, o EverQuest, tiveram sua distribuição e venda embargados em todo Brasil pela Justiça

"Eles deveriam se preocupar com o Rio, e não com o cs_rio", afirma Marcelo. Aos olhos do casal de "gamers", há poucos motivos para se levar as proibições a sério. Para ela, "é ridículo"; para ele "não muda absolutamente nada". O jogo, inclusive na adaptação "carioca", ainda pode ser baixado na internet, apesar de algumas lojas terem tirado das prateleiras.

Questionada sobre supostos efeitos nocivos do "CS" na mente de seus jogadores, a dupla defende restrição no acesso das crianças --até porque o jogo é indicado para maiores de 18 anos. "O cara só vai fazer besteira se for um 'joselito' [gíria para descompensado]", opina Mariana.

Para especialista, proibição do Counter Strike dá sobrevida ao jogo

THIAGO FARIA
da Folha Online

Com a venda proibida judicialmente, o jogo Counter Strike (CS) deverá ter uma sobrevida e conquistar um espaço que já estava perdendo. A opinião é do advogado especializado em direito de informática, Omar Kaminski, diretor de internet do IBDI (Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática).

A proibição da venda do CS, de autoria do juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, começou a ser cumprida na quinta-feira (17), em Goiás, pelo Procon local.

Divulgação
Cena do jogo Counter Strike; para psiquiatra, "jogo pode ser estímulo à violência"
Cena do jogo Counter Strike; para psiquiatra, "jogo pode ser estímulo à violência"

Na terça-feira (22), atendendo a decisão judicial, a distribuidora EA (Electronic Arts) suspendeu as vendas no Brasil das versões Counter Strike Source e Counter Strike Anthology.

O CS surgiu como "filhote" de outro game, o Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os jogadores em equipes. É preciso eliminar os adversários à bala. Para o juiz, os jogos "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".

Já na opinião do diretor de internet do IBDI, a proibição tem pouco efeito prático e funciona mais com um caráter educativo. "A medida não vai acabar com o jogo no país, mas serve para chamar atenção para a questão da influência dos jogos violentos", afirma.

Ouça trechos da entrevista com o advogado Omar Kaminski:

Ele compara a decisão de Tomaz ao caso em que a apresentadora Daniella Cicarelli entrou com processo judicial para proibir que sites divulgassem vídeo em que ela aparecia em cenas picantes com seu namorado na época, Tato Malzoni. Na ocasião, a proibição gerou grande interesse para o vídeo.

Kaminski, no entanto, considera a determinação do juiz de Minas válida e diz que não apontaria medidas alternativas. "Ele fez o que estava ao seu alcance."

Influência

Fernando Asbahr, psiquiatra coordenador do ambulatório de ansiedade na infância e adolescência do Hospital das Clínicas, de São Paulo, também considera a proibição válida, porém, questiona sua eficácia. "É complicado falar em proibição por conta do alcance desta proibição".

O psiquiatra afirma não ser possível estabelecer relação causal entre os jogos e atitudes violentas, embora haja o estímulo. "Em crianças e adolescentes que possam ser naturalmente mais agressivos, o jogo pode estimular a violência", reconhece.

Maioria dos internautas rechaça proibição de jogos, aponta enquete

da Folha Online

É equivocado o embargo da venda dos jogos Counter Strike e EverQuest pela Justiça brasileira. Essa foi a opinião da maioria dos internautas que participaram de enquete realizada na Folha Online na última semana sobre o tema. Dos 10.731 votos, 65% foram contra a proibição e 35% concordaram com a censura.

A proibição da venda dos jogos, de autoria do juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, começou a ser cumprida na quinta-feira (17), em Goiás, pelo Procon local.

Na terça-feira (22), atendendo a decisão judicial, a distribuidora EA (Electronic Arts) suspendeu as vendas no Brasil das versões Counter Strike Source e Counter Strike Anthology.

O CS surgiu como "filhote" de outro game, o Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os jogadores em equipes. É preciso eliminar os adversários à bala. Apesar de ser menos conhecido, Everquest é considerado um clássico. Nos moldes do RPG ("role playing game"), o jogo on-line se passa num mundo fictício com ares de Idade Média. Para os jogadores, esses games servem também como ponto de encontro, numa espécie de rede de relacionamentos com disputas.


Reprodução

Polêmico, Counter Strike surgiu como "filhote" de outro game, o Half-Life, no final da década de 90

Internautas marcam protesto em SP contra proibição do Counter Strike

FELIPE MAIA
da Folha Online

Blogueiros marcaram para o próximo sábado (2) uma manifestação em São Paulo contra a medida judicial que proibiu a venda dos jogos Counter Strike e EverQuest no Brasil. O evento está previsto para ocorrer no vão do livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), localizado na avenida Paulista, às 11h. O objetivo dos manifestantes é fazer com que a decisão seja revertida.

A venda dos jogos Counter Strike e EverQuest foi proibida em todo território nacional. A decisão foi tomada por um juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais em outubro e começou a ser cumprida em meados de janeiro, em Goiás, pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor).

Reprodução
Segundo blogueiros, decisão do juiz é "arbitrária" e "visa tirar a sua liberdade de escolha"
Segundo blogueiros, decisão é "arbitrária" e "visa tirar a sua liberdade de escolha"

De acordo com o juiz, os jogos "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o Estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".

Na últim terça-feira (22), atendendo a decisão judicial, a distribuidora EA (Electronic Arts) suspendeu as vendas no Brasil das versões Counter Strike Source e Counter Strike Anthology. O EverQuest não é comercializado oficialmente no Brasil.

Liberdade

Em um manifesto que circula na rede, disponível no blog Liberdade Gamer, internautas classificam a decisão do juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz como "arbitrária", e que "visa tirar a sua liberdade de escolha".

"Alegam que esses jogos são nefastos e podem causar danos a crianças e adolescentes, mas atroz mesmo é tirar dos pais o poder de decidir o que é melhor para os seus filhos e quando. Alegam que os jogos fazem mal e, portanto, devem ser retirados do mercado. E quanto ao cigarro? E quanto à bebida? E quanto à venda de armas de fogo, não pudemos votar em plebiscito se teríamos ou não esse direito?", afirma o manifesto.

Pacífico

Diante desses argumentos, os blogueiros pedem que as pessoas participem do "manifesto pacífico contra proibição de jogos, o manifesto pela liberdade gamer", chamando inclusive pais e responsáveis para o "ato de cidadania pró-democracia".

"Queremos que as pessoas entendam o nosso lado. Como cidadãos temos o direito de decidir sobre o que nós compramos", afirma um dos organizadores do evento, o blogueiro Gustavo Lanzetta, que tem 17 anos --idade inferior à classificação etária estabelecida para o jogo (18 anos).

De acordo com o texto, o manifestante que desejar pode levar placas ou ir vestido "a caráter" --uma camiseta com o símbolo do CS ou do EverQuest ou qualquer tipo de roupa que lembre os games.

Apesar de a medida proibir apenas a venda dos jogos --o que não exige que as lan houses os deletem--, Lanzetta considera que a medida prejudica os jogadores. "Já deu resultado. A EA [Electronic Arts, distribuidora do CS] já tirou das lojas. Tem como as pessoas comprarem, mas não é bom que elas comprem por meio não tão legais, que o governo não sabe que existem", afirma.

Os jogos

O Counter Strike surgiu como "filhote" de outro game, o Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os jogadores em equipes. É preciso eliminar os adversários à bala.

Apesar de ser menos conhecido, EverQuest é considerado um clássico. Nos moldes do RPG ("role playing game"), o jogo on-line se passa num mundo fictício com ares de Idade Média. Para os jogadores, esses games servem também como ponto de encontro, numa espécie de rede de relacionamentos com disputas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Violência brasileira

Jabor tenta descobrir as causas para a violência crescente no Brasil. Um sujeito mata em nome de Alá, outro mata para roubar um banco, por grana e outro mata por uma causa política. São violências que tentam se explicar e buscam quase uma causa justa para a brutalidade ou assassinatos.

Mas, aqui no país temos uma violência muito nossa, muito brasileira hoje em dia. Uma violência até original no mundo que é auto-sustentada e alimentada por si mesma. Se houvesse uma explicação racional para o irracional, uma lógica na loucura, ficaríamos mais calmos.

Mas, não há. Mesmo assim, vamos tentar. Talvez no Brasil a mistura de miséria, de ignorância crassa com a chuva de informações desorientadoras, tudo somado a desvalorização da qualidade de vida da população, talvez isso explicasse, mas não adianta.

Até um videogame, um Counter Strike tem regras. Mas por que um grupo de policiais mata um menino fraquinho de 13 anos a porrada? Não sei. Nossa violência tem vida própria. Temos de conviver com esse mistério. E pensar que éramos um povo com a fama de ser cordial e bom.

Assista o video : http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM779954-7823-JABOR+E+AS+CAUSAS+DA+VIOLENCIA,00.html

Justiça proíbe venda de jogos violentos

Materia exibida ontem terça feira na GLOBO!!!!!!

Dois jogos de computador com cenas violentas já começaram a ser retirados das lojas do país. A ordem foi dada por um juiz federal de Minas Gerais. Mas, em São Paulo, donos de lan houses não pretendem impedir o acesso a um dos mais populares desses games, o Counter Strike.

Nem o barulho dos tiros, nem a simulação do sangue são novidades para os adeptos dos jogos eletrônicos. A violência dos ataques e das explosões é considerada uma forma de diversão e vende bem.

Mas dois desses jogos estão na mira da justiça. O Counter Strike e o Everquest foram considerados violentos demais pelo juiz federal Carlos Alberto Simões de Tomaz, de Minas Gerais.

Ele afirma que um dos jogos, o Counter Strike, virtualiza uma cena de embate entre a polícia do Rio de Janeiro e traficantes de uma favela. Usa como trilha sonora um funk proibido e ensina táticas de guerrilha. Por isso, atentaria, na visão do magistrado, contra o estado democrático e a segurança pública.

A sentença determina que a União tome as medidas necessárias para retirar os jogos do mercado. E estipula multa diária de R$ 5 mil para o caso de descumprimento. Nesta terça-feira, fiscais do Procon de Campo Grande começaram a apreender cópias dos jogos.

A Electronic Arts, empresa que distribui o jogo Counter Strike no Brasil esclareceu, em nota, que a versão original foi aprovada pelo Ministério da Justiça e não faz qualquer alusão a favelas cariocas. A ambientação no Rio e os personagens traficantes são criações de usuários brasileiros que tiveram acesso ao código fonte do jogo.

A sentença proíbe a distribuição e a venda, mas não diz o que deve ser feito com as cópias que já estão instaladas em computadores que podem ser acessados pelo público. O Everquest e o Counter Strike são dois jogos populares tanto na internet quanto nas lan houses.

Ivan Cordon, dono de uma lan house disse que só vai apagar os jogos dos computadores se for notificado. Ele acha que a proibição não vai ter efeito na prática. “Uma pessoa pode comprar o jogo via internet, basta entrar no site e com cartão de crédito fazer o download e continuar jogando sem problema algum”, disse.

O especialista em direito eletrônico, Renato Blum, também acha que a restrição total é impossível, mas elogia a decisão. “Da mesma forma que novas tecnologias nos trazem inúmeros benefícios, temos registros como este de situações que podem incitar o crime, provocar uma situação de maior gravidade e não desejada por ninguém", acredita o especialista.

Os fãs não acham que o jogo seja violento e dizem que a diversão ajuda a fazer amigos. "A maioria joga em casa mesmo, mas sempre tem um encontro. A pessoa marca um encontro com amigos para vir para a lan house", conta um jogador.

EA suspende venda de “Counter-Strike” no Brasil

Nesta terça-feira (22), a Electronic Arts Brasil informou que suspendeu a venda de “Counter-Strike” no Brasil -mais especificamente os produtos “Counter-Strike Source” e “Counter-Strike Antology”-, devido à decisão judicial que proibiu a comercialização e a distribuição do jogo, e de “EverQuest”, no país.

A EA aconselha aos comerciantes a, por enquanto, tirar os jogos das prateleiras e deixá-los em estoque. Porém, não se trata de uma “ordem” ou algo do gênero, já que a própria companhia ainda não foi notificada sobre a decisão judicial, tampouco citada na mesma.

Para completar, a EA divulgou um comunicado oficial sobre o assunto. Veja a íntegra:

A Electronic Arts comunica que o jogo original Counter-Strike, distribuído por ela no Brasil e desenvolvido pela Valve, não apresenta as características publicadas no portal do PROCON.

A empresa esclarece que itens como traficantes, a cidade do Rio de Janeiro, favela, trilha sonora funk e pontuação extra por matar PMS, não fazem parte do jogo original.

Estes artefatos foram criados por pessoas que não têm qualquer tipo de ligação ou relacionamento com ambas as empresas e que dispuseram seu download gratuitamente pela internet.

A EA gostaria de salientar que não apóia este tipo de jogo e que já toma todas as providências cabíveis para solucionar o caso.

Na semana passada, o Procon de Goiás publicou um texto comunicando sobre a proibição da venda e distribuição de “Counter-Strike” e “EverQuest” no Brasil. A medida, válida para todo o território nacional, é fruto da decisão proferida por Carlos Alberto Simões de Tomaz, juiz federal da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais. Os jogos são considerados “impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor”.

Sendo assim, a Justiça proibiu a distribuição e venda de “livros, encartes, revistas, CD-ROM, fitas de videogame (sic) ou computador” de “Counter-Strike” e “EverQuest”, sob pena de multa no valor de R$ 5.000.

Ironicamente, no entanto, como a Justiça não proibiu o uso dos jogos, mas somente a comercialização. Logo, as lan houses não estão obrigadas a deletá-los.

Fonte: Uol Jogos